quarta-feira, 19 de março de 2014

Rodoviária, Porto Alegre, Brasil
14/03 . Estamos ali, a escorregar água, depois de ter estado duas horas à chapa do sol de cartaz na mão - Uruguai - dizia, ainda tentamos - Sul - nada, passam todos, riem-se, gozam, há de todo o tipo de simbologia de e indecifrável. Nenhum pára, ou melhor pára um, para deixar um amigo. Desistimos, plano B - parece que a viajem vai acabar uns dias mais cedo - apanhar o ónibus directo a Buenos Aires. Já na estação aproveitamos para sacar aquela que é a última fotografia da viajem. As miúdas, três de cinco, andam por ali de um lado para o outro impacientes, à espera do bus que devia ter chegado à uma hora e meia. Ao nosso lado a mãe aguarda silenciosamente. Aproxima-se a hora. Bebemos um copo em celebração. 
Obrigado às 'Marias' que tão bem nos receberam no seu novo mundo. Já lá vão dois meses e a verdade é que buenos aires já nos faz falta. 
Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, Brasil
13/03 . Alvaro Siza ganhou o concurso para um museu em homenagem a um tal pintor, referencia de porto alegre - Iberê Camargo - um que acabou preso por ter assassinado a tiro um outro e acabou ilibado por ser quem era. Assim criou um dos símbolos da cidade, uma peça escultórica de linhas puras e grande delicadeza, que ganha vida quando penetrada. Queremos ver tudo e a não ser o jovem da recepção, não há vivalma. Então andamos por ali, sem limitações, com uma miúda, que por acaso é tutora do museu para os putos das escolas, workshops e não sei o quê. Simpática e com bom sentido de humor, parece que anda a viajar connosco. Paramos, trocamos umas histórias, rimos, seguimos; é artista, tira-se logo pela pinta. Ainda nos vamos encontrar pela Europa.
Gasómetro, Porto Alegre, Brasil
12/03 . Final do dia em Porto Alegre e os seus, vão até ao rio, ou melhor, ao gasómetro, ponto de encontro, símbolo cultural e referencia maior na paisagem da cidade. Hora do chopo, com os nossos, os que ficam na sala, nós, o argentino que veio de buenos aires de bici, e os que ficam no quarto, as duas 'marias' e o esposo da maria, que na verdade são um triangulo; umas risadas e uma jolas a apreciar a ida do sol. Tentamos introduzir a moda do bater palmas quando ele se vai, como outrora vimos em terras próximas. A ver se pega. 
Esta é uma cidade em bruto, cheia de potencial. Move-se pelas novas gentes, os jovens ativo, imprevisíveis e de espírito livre, que lutam pelo jardim, pela praça, pela rua, pelas artes e pela cultura. 
As pessoas aqui, são o bem mais precioso da cidade.

terça-feira, 18 de março de 2014

Barra da Lagoa, Florianópolis, Brasil
11/03 . Para este dia não há como esquecer a senhora mais simpática, de todo um vasto país como o Brasil, que alguma vez passou por nós. Cansados e esfomeados após uma viagem que terminou pelas 11h da manhã, fomos logo almoçar no típico restaurante onde se mistura tudo ( é a carne, batatas, arroz, farofa, molhengas...) e paga pouco. Mas desta vez o pouco, foi menos ainda.
Toda aquela trapalhada que trazíamos às costas, os sacos de pástico atados uns aos outros que por sua vez se atam aos apertos da mochila do lado esquerdo, e o mesmo do lado direito para manter a "simetria do peso", deu nas vistas em todo restaurante. No momento de plena satisfação em que não importava o tema de conversa, a vista bonita ou feia, aproxima-se a tal senhora que nos entregou um guardanapo onde dizia - "Sejam bem-vindos a Florianópolis. Deus os abençoe..."
De alguma forma fizemos lembrar o seu filho que segundo ela costumava viajar da mesma forma, o mesmo estilo (roto), assim tratou-nos como gostaria que o tratassem a ele, pagando nos a conta. 
Escola de Música, Praça das Artes, São Paulo, Brasil
10/03 . Pela manhã no Memorial à " América Latina". Naquela escultura da mão acorrentada de sangue (Mão à América do Sul), projectada pelo Niemeyer tal como todo o plano ( Salão de Atos, a Biblioteca Latino-Americana, o Centro de Estudos, a Galeria Marta Traba, o Pavilhão da Criatividade, o Auditório Simón Bolívar, o Anexo dos Congressistas e o edifício do Parlamento Latino-Americano) há uma citação:
"O sentimento da Unidade Latino-Americana é o limiar de um novo tempo. O esforço de organização para eliminar a opressão dos poderosos e construir um destino maior e mais justo, é o Compromisso solene de todos nós" - Orestes Quércia
Parque Iberapuera, São Paulo, Brasil
09/03 . Todas as cidades necessitam de um pulmão e um dos maiores de São Paulo é este parque. Um espaço verde que se enche aos "findes" para os paulistas se sentarem na relva junto do lago, rolar de skate ou bicicleta, visitar o teatro ou algum dos museus, respirar fundo. 
Mas ao fundo ouvem-se coisas estranhas a bater com violência, aproximando já se parecem com tábuas a bater no chão e mais de perto se avistam centenas de praticantes de skate. Uns bons, outros maus, coisa fácil de distinguir até pelo som especial que é acertar uma manobra, aquele "clacke" que antecede o momento de plena satisfação, através de algo simples.
Praça das Artes, São Paulo, Brasil
08/03 . É mais dificil aceder à praça das artes em SP que a qualquer ministério, plenário ou até casa da presidência em Brasília. Esta obra, bem contemporânea, é uma escola de dança e música de alto nível situada bem no coração da cidade. O plano coloca o edifício bem no interor de um quarteirão, resolvendo cada uma das três frentes a que está exposto com uma praça. Na fotografia o grande janelão que se abre para a cidade, riquíssima - a escala é de outra dimensão- a praça em baixo, cheia de vida, cheia de graça. Lê-se em forma de borrão, você prédio acho tédio, você praça acho graça. 
Faculdade de Arquitectura e Urbanismo, São Paulo, Brasil
07/03 . Para chegar à cidade universitária apanhámos um metrô até à estação da luz. A partir daí saem todos os ônibus até à cidade U. Isto porque ir de metro directo até lá é ter de atravessar um jardim especial e chegar à faculdade em cuecas. Sendo assim, optámos pela chegada à faculdade tranquila e de traje completo.
Vilanova Artigas criou um lugar de culto; este é  um lugar que inspira, aqui qualquer estudante é arquitecto. Só lhe falta uma coisa, estudantes. A faculdade por onde passámos está longe de ser aquele lugar de multidões no átrio central, dos 70s; aquela fotografia clássica que representava uma geração a explodir, essa que sempre vi em livros já não existe. 
Para uma cidade com vinte milhões de vidas, onde estão os futuros arquitectos desta cidade ? 
MASP, São Paulo, Brasil
06/03 . As expectativas para ver a dita boa arquitectura de São Paulo eram altas. Diga-se boa arq., mas apenas de edifícios pontuais e um deles era o MASP, da Lina Bo Bardi. Mas como qualquer obra, ela depende de quem a tomou, a gere. 
Começou de pé esquerdo a nossa visita. O acesso principal ao museu apenas se podia fazer pelo elevador, deixando aquelas escadas lindas, o único elemento para além dos quatro pilares que intersecta o enorme vão. As janelas corridas de uma ponta à outra das fachadas foram encerradas, o que faz interrogar porquê esta incoerência com o projecto inicial. Para somar às boas decisões existe um interesse recente em vedar toda aquela praça coberta, um dos momentos mais fortes. A explicação centra-se no querer expulsar os sem-abrigo que ali ficam durante a noite.
Nós retomámos a Av. Paulista com o pé-direito.

Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, Brasil
05/03 . O último dia de Carnaval diria que foi o único em que a festa pelas ruas se desenrolou até altas horas. Durante os restantes dias o estímulo era deitar cedo e acordar igualmente "temprano" para caminhar pelos enormes blocos. Logo pela manhã, fresquinhos, a dançar ao ritmo da música do camião e contagiados por todo aquele espírito alegre, que te põe de sorriso largo na cara. 
Mas a primeira manha após o termino do Carnaval foi estranha. Fizemos um pequeno passeio pelo centro, tudo se encontrava fechado. No lugar de pessoas caminhando pelas ruas, havia amontoados de lixo esvoaçando ao sabor do vento. Era fácil chutar uma lata da "Antártica" (a marca de cerveja que lidera a vendas) sem querer, a mesma com que bati um record pessoal - a cerveja que tomei mais cedo da minha vida.
Bloco Gávea, Rio de Janeiro, Brasil
04/03 . Carioca vestida a rigor (Nota 10) faz furor em bloco de carnaval na gávea. Nos cinco dias do carnaval, a cidade não pára. Ás 9 da manhã já a samba nas ruas, um bloco aqui e ali, acaba um começa outro, do interior até ao mar são mares de gente que invadem as ruas para aproveitar o melhor que a cidade tem para oferecer. Sangue brasileiro é assim; é uma loucura, é um samba, uma dança, uma Antárctica gelada, uma grande algazarra, todo o mundo na rua. Vai-se o carnaval, vai-se a folia, fica a vontade de regressar para conhecer um Rio que respira tranquilo. 
Favela do Vidigal, Rio de Janeiro, Brasil
03/03 . Miúdo chama o avô para ver o fumo ao fundo enquanto este repara os cabos da tv no topo da sua terraça. Ali a brisa corre de fininho, o burburinho e o mar.
No Rio há um pedaço de cidade maravilhosa em bruto. A outra, para lá de Ipanema e Leblon, aquela que com o tempo foi fixando o seu lugar no morro, no morro de cá, no moro de lá. Lá em cima, no topo dos 'dois irmãos' há esta e a outra cidade, do lado de cá, ecoam os sons da rocinha, como se tivesse o ouvido colado ao copo do lado de lá da parede, os sons da bondi e das motos que ziguezagueiam em modo foguetão pela favela, dos putos que saem da escola, dos que jogam à bola no topo morro, das gentes que aproveitam o clima, a natureza que ainda não lhes foi roubado. 
Ipanema - Leblon, Rio de Janeiro, Brasil
 02/03 . Durante todo este tempo optei, num misto entre não gastar dinheiro e querer uma experiência o mais larga possível sem a dependência de dispositivos electrónicos, viver sem telemóvel. Esta toma de partido faz com que se marcas alguma coisa com alguém, não há como mudar de ideias em cima da hora, mas também complica quando te desencontras com os teus em pleno Carnaval do Rio entre os muitos blocos da cidade. Foi nessa circunstância em que nos encontrámos no final de tarde, possuindo apenas uma espécie de mapa muito pouco preciso do ponto de começo de um dos blocos. Já numa de desistência da causa, decidimos aproveitar da melhor maneira que sabemos este mundo que parece que acaba amanhã. 
No final do bloco onde todos se juntaram para ouvir os últimos sons, concentraram-se mais pessoas do que nunca, momento onde por casualidade encontrámos parte dos nossos, também eles separados e possuindo umas oportunas bebidas, que assim mudaram de destino.
Com telemóvel como teria sido? 
https://www.youtube.com/watch?v=Z7dLU6fk9QY
Ipanema, Rio de Janeiro, Brasil
01/03 . O carioca desce até ao calçadão, é o desfile das beldades, corpos bronzeados, a tanga clássica na bunda brasileira, e o carioca, 'low-profile', malha bem ali, junto à praia. A cada dia de carnaval, o povo carioca desce até ao areal para aproveitar o melhor que a cidade tem para oferecer.  A moldura humana faz desaparecer o areal. Até que o Sol se vá, até que se liguem os holofotes. Depois chegar a casa com aquele cheirinho a mar, não pensar em mais nada a não ser no jantar.
Museo de Arte Contemporânea, Niterói, Brasil

28/02 . Descobrir o desconhecido não é uma especialidade de Simbad, de Érico, o Vermelho ou Copérnico. Nã há um único homem que não seja um descobridor. Ele começa descobrindo côncavo, o amargo, o salgado, o liso, o áspero, as sete cores do arco-íris e as vinte  tantas letres do alfabeto; passa pelos rostos, mapas, animais e astros; conclui pela dúvida ou pela fé oeka certeza quase total da própria ignorância.

Atlas . Maria Kodama e Jorge Luís Borges
Pão de Açúcar, Rio de Janeiro, Brasil
27/02 . Há lugares imperdíveis; apareçam ou não em todos os guias e rotas, no Pão de Açúcar não há como não ficar rendido ao cliché-postal. Vale cada flash na testa, cada encontrão no gringo de pele clara, pele escura, olho rasgado; como se nós não fossemos gringos também. Uma aberta o mais próximo da paisagem, tiramos a foto cliché no limite do mirador, a 'família' é feliz aqui. Depois, ficamos ali, por um tempo, a desfrutar. A cidade perde-se nos morros, nos montes e vales, que se perdem no velho atlântico, que se difunde no céu azulão. Aqui, somos pequenos.
Arpoador, Rio de Janeiro, Brasil
26/02 . As expectativas eram muitas, ainda para mais, com a feliz coincidência de chegarmos na altura precisa do Carnaval. Qual a primeira coisa a fazer (mesmo cheios de mochilas e trapalhadas)? Um mergulho pela manhã, numa extensão de areia apenas pautada por uma pessoa aqui e ali. Para acordar em beleza e observar o que de melhor se faz por este lugar. É a corridinha matinal, para pôr tudo em forma. Uma forma, aos padrões cariocas, para ser apreciado ao longo das vastas e incríveis praias.
Este é um dos mundos, contrastante com o outro, o das favelas lá bem ao longe.

sábado, 15 de março de 2014

25/02 . Foi folheando um livro de Lúcio da Costa, ainda em Brasília, que em algumas das suas páginas no seu interior observo cinco fotos que me levaram a dizer - "Isto é Portugal". Foi então que consultei "o artista", o qual me informou que tinha sido uma ex-colónia Portuguesa, daí a existência de tantos edifícios que remetem para o que nos parece familiar. Um zona pacata, com pessoas simpáticas, entre outros adjectivos mais, foi o que despertou o interesse.
Numa visita de médico ( apenas um dia) andámos em ruas e "casitas", que me fez matar um pouco destas saudades, de à já alguns meses.

terça-feira, 11 de março de 2014

Casa do Marco "o artista", Asa Norte, Brasília

24/02 . Brasília, mais do que tudo, trouxe-nos um amigo.
"Brasília é uma capital que nasceu histórica. Histórica, não por representar o passado, mas por ser o presente que nos projecta para o futuro. O passado não existe nas linhas da arquitectura histórica. A arquitectura histórica não é para o seu tempo. Ela se move imóvel perante a 'eterna novidade do mundo'. 
Ouro Preto é uma dessas cidades históricas imóveis que se movimenta junto com as translacções, rotações do planeta. Não se torna estática. 
Lúcio Costa desenha a Brasília modernista ao mesmo tempo que percorre os traços das cidades históricas e nos mostra que o tempo, invenção do homem, 'não existe'. 
Abraço do brasileirense,
Marco Porto"