sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Cabanaconde, Cañon del Colca, Peru

25/01 . Cada pessoa uma palavra. Umas frases com pouco sentido.
 "Já foi o dia em que era um grande condor e nao sabia como nao voar."

"Num daqueles anos em que nao sabia nada a ver com caminhar, viajar, pairar, mas ainda esperava alcançar uma grande etapa, fui."

"Ai meu amor um dia eu serei um gigante que fará tudo para agigantar montanhas. Vou de mala aviada, sem rumo nem prumo. Serei depois teu."


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014


Ruta 55, N Chile


Mesmo acordando às 5h da madrugada, não fomos capaz de reservar lugar na fila enorme que a essa hora já esperava pelo autocarro para a Bolívia. Só daí a 2 dias é que haveria o próximo.

Mas como há males que vêm por bem, enquanto discutíamos alternativas, lembrámo-nos de que em vez de subirmos pela Bolívia, podíamos subir pelo Peru. Na verdade esta solução até fazia mais sentido que a inicial. Foram precisos apenas alguns minutos para todos concordarmos fazer esta alteração na rota, o que não é de admirar visto que a outra alternativa era ficar mais dois dias em Calama. Era unânime que preferíamos cagar o pé todo, a ter que ficar mais tempo por aquelas bandas.
Rapidamente encontrámos um autocarro que ia para Tacna (Peru)e fomos falar com o motorista. Aspecto de trafulha, disse-nos “sale a las 15 horas, pero no hay más lugares”, esperou para ver as nossas caras de desilusão e sussurrou “vengan hablar comigo por las 15h, que non es necesario billetes”. Nós como tugas que somos, também temos uma veia latina para estas maroscas, por isso acenámos discretamente e ficámos felizes da vida!
Arranjaram forma de pôr uns pesos extras ao bolso: cobraram-nos o bilhete, o 2º condutor foi a dormir num cubículo que parecia um cacifo e o ajudante foi sentado ao pé da manete das mudanças. Deixando assim os lugares da cabine do condutor aqui para os tugas, e digo-vos já, melhor vista era impossível!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Geyser del Tatio, San Pedro de Atacama, Chile
21/01 . O dia da tour das 4h da manha, onde se iria ver os grandes e perigosos geysers fumando no meio da paisagem fria do antes nascer do sol.
Viagem de sono atormentado pelo caminho de terra até à primeira parada, onde coincidiu com o desayuno. Seguimos viagem até à sensacao do dia, o banho nas águas termais a 30 graus. Algo espantoso, extraordináriamente proporcionado pela natureza e tristemente explorado pelo mundo das tours. Atacama e as suas tours. Estes sítos sao visitados todos os dias pelas diversas empresas às mesmas horas, ao mesmo tempo e com o mesmo objectivo, ganhar dinheiro apartir da natureza.
Desta forma os lugares transformam-se em algo que nao sao, vulgares.
Laguna Cejar, San Pedro de Atacama, Chile
20/01 . Mulher caminha para um de dois toldos existentes no deserto.A cada paço vai deixando o seu rasto marcado pelo sal. Por detrás da câmera três lagoas perdidas numa paisagem que roça o irreal. Uma, onde dezenas de pessoas estendem os seus corpos; uma outra, solitária é esquecida entre os olhares mais desatentos; uma última, que dá o nome ao lugar (Laguna Cejar) deixa-se fotografar empávida e serena com o seu lado mais selvagem a nu. O sal, faz-nos esquecer os quinhentos metros de profundidade, impedindo-nos de submergir.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sandboard, Valle de la Muerte, San Pedro de Atacama, Chile

19/01 . É já perto da hora de almuerzo que chegamos à lindíssima vila de San Pedro de Atacama, onde a cor predominante é o vermelho barro e se faz sentir um calor que nos destila dos pés à cabeça.
Depois de nos instalarmos no hostel mais em conta de toda a vila (por sinal, bastante agradável) e já com metade do dia para trás das costas, eis que surge uma bela proposta. Um guia turístico em dia de folga convida-nos para um percurso de 1 hora de bicicleta pelo Valle de la Muerte para fazer Sandboard.
Fazer um espécie de snowboard, mas em vez de bater os queixos de frio, fazê-lo na areia e a apanhar um solinho na cara? Estamos dentro.
As duras subidas até ao topo das colossais dunas, eram rapidamente esquecidas pelo êxtase de voltar a descer e pela vista de cortar a respiração.
Na volta trazemos alguns quilos de areia nos bolsos e no estômago, mas valeu cada grão.
Festa na montanha, Pumamarca, Jujuy, Argentina
18/01 . Humahuaca, alguém disse que não era interessante. Mas o que se passou foi bastante distinto - uma carrada de surpresas.Tudo depende de ti, da forma como tu te dás e partilhas com as pessoas, neste caso até é bastante simples. O povo do noroeste Argentino é buena onda e mesmo que não dês o primeiro passo para uma conversa, eles o fazem por ti, acabando sempre por escutar coisas que te darão jeito nos momento seguintes. Preenches o tempo a conhecer lugares que amavelmente te mostraram.
Num começo de dia mole, lento, e antecedido por uma noite de cartas (truco) fomos para a plaza da Independência. Clara, a niña que quis aprender, ou simplesmente passar um tempo com os tugas a desenhar. Dei por mim a tentar estimular a criança, para chegarmos a um desenho mesmo bonito. Desenhado por mim e colorido por ela. Mais uma partilha que de alguma forma mostrou como é difícil sacar um sorriso espontâneo, típico de qualquer criança desta idade.
Continuamos a subir o monumento e encontramos um pueblo que tinha como principal atracção a cancha de futebol. Ai nos metemos com a rapaziada e certificamo-nos de acer un partido. Ganhamos o jogo, e a amizade de três putos, que após uma perseguição tímida nos regalaram a bola com que tínhamos acabado de jogar, autografada por cada um ( Facunda, Brian e Joel).
Durante a noite regressamos a Pumamarca, onde íamos apanhar o micro, para seguir viagem até Atacama às 4h. Acabamos por pegar a onde da maré de espírito jovem, e encontrar a festa no cerro. Um céu lindo, tudo a cantar ao redor da fogueira, longe do controle da polícia que não se atreveu a passar o cemitério.

Hostel sem nome, Humahuaca, Província de Jujuy, Argentina
17/01 . Depois de voltas entre as pequenas povoações de Purmamarca, Maimara e Tilcara, eis que chegamos a Humahuaca. Já de noite, sem grandes expectativas e debaixo das arcadas da estação abrigados da chuva, somos surpreendidos por um grupo de bacanos que nos encaminham para um hostel meio tosco. Classificado por eles mesmos com um 6 para o dormitório, 8 para os banhos e um incrível 1 para esta entrada. As classificações não acabaram por aqui, terminamos a noite a jogar o clássico Truco com dois argentinos, Santiago, o médico gingão e Juangelo, o pacato biólogo.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Salta, Hostel El Andaluz
16/01 . Salta, uma cidade acolhedora onde te sentes seguro e curioso a cada esquina. Encontras sem esforço espaços surpreendentes, um deles foi o hostel que nos acolheu durante a noite, curta em descanso mas longa em momentos. Um deles foi nesta foto, onde houve quem partilhasse a sua musica e malabarismos com bolas vermelhas flurescentes, a cor que falta na composição da imagem.





Pumamarca, Jujuy, Argentina
15/01 . Após uma viagem atribulada, atravessando as trilhas massacradas pela caravana do Dakar e as rutas sem fim a vista, chegámos a Pumamarca. As casas em adobe, as suas gentes e um pueblo plantado entre as pitorescas montanhas do NE argentino, tornam este um lugar único.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014


Loma Bola, San Miguel de Tucumán
14/01 . Numa pendente montanhosa de 1700 m, com toda a cidade de Tucumán lá no horizonte. Este é um dos lugares mais mágicos para a prática de parapente na América do Sul. Para finalizar o dia nada melhor que assistir ao último salto do dia com o sabor de uma heineken, fresquinha como se quer.

60 dias 60 fotografias - Sudamérica

13/01 . A altura por que tanto esperámos chegou.Os Tugas vão partir à descoberta... e  isto é o que trazemos.
Durante os próximos 40 a 60 dias - dependendo da plata - vamos partir em busca do melhor que a América do Sul tem para nos dar e retrataremos cada dia com uma foto.
Os momentos mais imprevistos, as pessoas surpreendentes, as paisagens tranquilizantes, buscamos apenas duas coisas, o tudo e o nada.

Partida para nunca mais regressar da casa Guemes

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Dakar - Rosário - 2014

Mochila às costas e escrever numa das placas sobrantes das maquetes um "ROSARIO"  bem grande e legível acompanhado de um fixe, para não cansar a mão, e está tudo, bora!
Cheguei ao porto de BA com super ganas de chegar a Rosario " al dedo", mas logo me apercebi que não seria tão fácil como tinha sonhado. Não era dos dias com mais actividade nos transportes de mercadoria no porto, pois era véspera de festividades. Então mudei de estratégia e fui para a maior avenida da costanera, onde a poluição impera, e passam obrigatoriamente todos os camiões com destino ao norte da Argentina, ai haveria de conseguir. Em 15 minutos pulei para um camião, depois de 1.30h de "nãos", para umas 4:30 horas de conversa estimulante em que, quanto mais tempo passava mais barreiras caíam. E acho que para isso foi importante a minha oferenda, pão integral caseiro ( que cada vez sai melhor), pois 10 minutos depois já me dizia que se quisesse passar uns dias na sua quinta em La Plata, que estava à vontade, assim como ir com ele para Jujuy onde ia deixar a carga e na semana seguinte para Ushuaia, bem lá em baixo. Bem então ele era Omar Osvaldo Rosas e com os seus 24 anos foi campeão Nacional 2x em Gineteada gaucha e tinha um amigo dessas andanças que participava agora no Dakar.

Pan-Americana, ruta 9
Com Omar Osvaldo Rosas
Gineteada gaucha, Omar no meio
Chegada a Rosario, Hotel/Casino periferia de Rosario
Saí na autopista/autoestrada bem na periferia de Rosario, que para além do Hotel/Casino ( onde estava hospedada toda a caravana do Dakar) havia pobreza e alguns dos "3.000 efectivos que garantizan la securidad". Um pouco da minha imprudência me levou a iniciar a caminhada de quase 30 quadras até ao centro, mas salvou-me a fome, que me levou a parar onde ao meu instinto pareceu bem. 
Foi num negócio de família recém criado que pedi o que me aconselharam - um "Carlitos" ao que parece uma comida muito Rosarina, que são tostas mistas, mas enormes. 
Carlitos encontrei um prato que faz juz ao teu nome.
Concordei com o conselho que me deram nesse mesmo sítio e logo partimos para uma entrega de pizzas de moto e mais um aventon/boleia! Muito bom até ficarmos sem combustível e não pudermos abastecer pois não tínhamos cascos/capacetes. Lá resolvemos tudo e a noite ainda deu para uma lição de arquitectura ( pois fomos ver o Centro Municipal de Rosário do Siza que era mesmo a dois passos da casa do rapaz), uma foto com a avó e uma longa caminhada como queria até chegar ao Monumento (centro), porque uma chegada com esforço sabe sempre melhor.

Família Herrera
Fui a tempo de ver a última actuação do Peteco Carabajal ( Folclore, http://www.youtube.com/watch?v=T_0cJAkcQeE) e a sua diabulação pelo público.

Centro, Monumento a la Bandera
El Cairo, o restaurante que me pareceu bem para um almoço e desayuno/pequeno-almoço onde podes estar tranquilamente a comer pelo mesmo preço do Mc, com uma equipa de Russos da Kamaz ao teu dado esquerdo a falar russo, espectáculo!
Dia 4 - desfile da caravana do Dakar às 15h, antecedida por 4h a guardar o spot com sol a pique ( 34 graus). Já com sintomas de cara rosada ( o protector de 60 é pouco) começou a observação "dos do Dakar", raparigas da Redbull, e o Robby Gordon como atracções principais e os outros. Eu estava nos "outros", 250.000 pessoas de Sudamérica (não encontrei um europeu que não fosse vip, todos pertenciam à caravana).
Então "os do Dakar" (caravana) - encheram a 100% os Hoteis de Luxo + 80% até às 3 estrelas. 
As Raparigas da redbull - In pec...!
Robby Gordon - o de cor de laranja, que faz uns saltos. Americano!
Bem e era tudo o que "os outros" conheciam, mas era o bastante para gritarem desalmados por fotos. Ah, mentira conheciam um, Patronelli. Foi então que em troca de dizer quem eram os grandes portugueses presentes ( eles me ajudavam a chamá-los para a foto, comigo!). E é através destas pequenas coisas que se conhece um pouco da pessoa por baixo do fato de cores berrantes e sponsors, tal como o povo argentino.

Av. Belgrano
Com Pedro Bianchi Prata e um outro tuga estriante ( acho)
Helder Rodrigues
Carlos Sousa
No dia seguinte a caravana partiu às 4h da manhã um por um, intervalados até às 14h, onde eu já estaria a comer num restaurante de pescado ( 1ª vez na Argentina) na zona norte de Rosário, bem junto à Ponte Victória e às suas praias, passando pelo estádio Rosario Central.

As grandes personalidades históricas do Club onde nasceu Messi: Fontana Rosas, Aldo Pedro Poy, Alberto Almedo, Kempes, Puma Rodriguez, Don Angel Tulio Sof, Palma, Che Guevara, El chadro (esq. para dir.).
Praia Privada do Rosário Central, para os adeptos festejarem devidamente junto do rio Paraná

El grand Joaquin Petit
Da parte Norte para o Sul de Rosario
A praia onde atacaram as piranhas 1 semana atrás. Ponte Victoria. E o Chá Mate sempre presente ( sim, é chá quente).

Após dois dias a dormir na calle, e com a máquina cheia de boas recordações e não a querendo perder, voltei tranquilamente de autocarro, sem que nada mais de extraordinário se passasse. Valeu