Chegou finalmente o dia em que eu - chico (sim, foi preciso atravessar o Atlântico para começar a ser chico) fui à Bombonera.
Dia de jogo em casa do Boca Juniors, um dos clubes mais emblemáticos e icónicos da história do futebol, clube do velho Diego Armando Maradona.
Dizia alguém sábio que uma ida ao futebol era um regresso momentâneo à infância.
Na argentina respira-se futebol, são o povo mais apaixonado pelo futebol que já conheci.
Aproximação ao estádio, já se começa a sentir o ambiente, já cheira a Boca; as cores variam entre os azuis e os amarelos. Mesmo quem não entra no estádio veste-se a rigor e prepara-se para ouvir o relato ou ver a partida no televisor mais próximo com os seus.
Começo a entender porque é que o lema do Boca Juniors é "la mitad mas uno", são metade da população mais um, o clube com mais adeptos da argentina.
Os colectivos (autocarros) que seguem em direcção a La Boca de portas abertas estremecem por todos os lados com cânticos do Boca. Juntam-se multidões na entrada para o estádio.
Entada no estádio, ouve-se um som que ecoa pelas velhas bancadas da Bombonera. Aquele entusiasmo pela primeira mirada do relvado, da torcida, da gente que veio torcer pelo seu clube de sempre. Desço os primeiros degraus, e não há palavras para descrever o que vejo, a sensação é de um puto perdido na multidão que foi ver o seu clube jogar pela primeira vez. Os minutos passam com um estalar de dedos e as equipas já estão no relvado, pelo meio há umas cheerleaders com o rabo entalado que aplaudem a entrada da equipa da casa. Só se ouve Boca, até porque só há adeptos do Boca en la cancha, uma moldura humana amarela e azul.
Aqui não há lugar a vergonhas, do neto ao avô, do obrero ao business man todos cantam
Y Dale dale dale dale BOca ! Y dale dale dale dale Boca ! Durante 90 minutos pareceu que estava a vibrar pelo clube de sempre, era mais um no meio da multidão. Ainda deu para ver a magia do velho Riquelme por uns minutos, saiu lesionado aos 15. De resto na Bombonera é a multidão mais 11, só não ganham porque jogam sem alma. Desta vez, a alma ficou só pelas bancadas e o boca acabou por perder 2 - 0. Não consegui sentir o que é festejar um golo do meu clube emprestado.
Ainda assim a Bombonera cantou durante os 90 minutos. Neto, avô; mulher, homem, obrero, business man.
Valeu, o tal sábio estava certo.
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| A equipa do Boca a entrar e as famosas com o rabo entalado. |
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| Os grandes ídolos do clube (da es. para a dir. Maradona, Tévez, Bianchi, Guillermo, Riquelme e Palermo) |
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| Aqui quando está muito calor para-se o jogo para se beber uma água. O Sanchez Niño (à esq.) estava sem sede. |
(À saída do estádio ainda deu para ver o Djokovic passar a 2 metrinhos, de passagem por Buenos Aires para um jogo de exibição com o Nadal)




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